Incontinência Urinária de Urgência

Olá, agora vamos conversar sobre a Incontinência Urinária de Urgência (IUU).

Antes de qualquer coisa é necessário definir o que é URGÊNCIA.

Bom, urgência é caracterizada por uma vontade repentina e intensa de urinar, ou seja, de repente a pessoa sente uma vontade muito forte de urinar que necessita ir correndo ao banheiro. Antes disso não estava sentindo nada.

Mas porque isso acontece?

 

Vamos recordar o funcionamento da bexiga. O músculo que constitui a bexiga chama-se detrusor e está relaxado durante a fase de enchimento. Os rins formam urina constantemente e a mandam para a bexiga, que funciona como um reservatório até o momento de urinar. A bexiga, relaxada, se distende até atingir uma capacidade tal que os receptores presentes dentro dela mandam infomação que está cheia e a pessoa sente vontade de urinar. Durante esse período os músculos periuretrais estão contraídos. Quando vamos urinar relaxamos o assoalho pélvico e o músculo detrusor contrai expulsando a urina.

A urgência miccional acontece quando, por algum motivo, o músculo da bexiga contrai fora de hora, durante a fase de enchimento. Nesse momento a pessoa sente uma vontade repentina e intensa de urinar. Caso consiga chegar ao banheiro a tempo considera-se um episódio de urgência. Mas se perder urina no meio do caminho denomina-se um quadro de urge-incontinência ou incontinência urinária de urgência.

Outra denomimação muito utilizada para a Incontinência Urinária de Urgência é Bexiga Hiperativa.  Isso porque o detrusor, que é o músculo da bexiga está contraindo de forma descontrolada. Está hiperativo – é a chamada hiperatividade detrusora.

 

Para entender melhor o que acontece vamos revisar o controle da bexiga. Lembre-se que conforme a bexiga vai enchendo os receptores presentes dentro dela mandam informação desse enchimento pra medula. Quando somos bebês, após certo grau de distensão da bexiga, essa informação chega até a medula e de maneira reflexa ocorre relaxamento de períneo e contração do detrusor, com esvaziamento da bexiga. Conforme vamos sendo educados para controlar o ato de urinar, esse acontecimento deixa de ser reflexo e a informação sobe até o cérebro. Começamos a decidir desde então qual é o melhor momento para urinar e o cérebro passa a mandar informação para a medula, controlando a micção através de dois sistemas – o simpático e o parassimpático. Durante a fase de enchimento, quando o detrusor está relaxado e os músculos periuretrais estão contraídos, o sistema parassimpático está sendo inibido pelo cérebro e o simpático está atuando. Quando decidimos urinar o sistema parassimpático passa a atuar, com consequente relaxamento dos músculos periuretrais e contração do detrusor.

Na bexiga hiperativa essa inibição do sistema parassimpático não ocorre de maneira eficaz, ocorrendo contrações do detrusor durante a fase de enchimento, denominadas contrações não inibidas do detrusor.

A incontinência Urinária de Urgência tem como principal característica a urgência miccional seguida de perda de urina. No entanto geralmente está associada com outros sintomas, os quais estão descritos abaixo:

 FREQUENCIA URINÁRIA AUMENTADA –  a Sociedade Internacional de Continência (ICS) considera normal urinar de 4 a 8 vezes por dia, o que consiste em ir ao banheiro mais ou menos a cada três horas. O ideal é que quando for urinar a bexiga esteja cheia. Lembrando que a capacidade de armazenamento da bexiga é de cerca de 400 a 500 ml.

Na presença de incontinência urinária de urgência é comum urinar várias vezes ao dia, com saída de pequena quantidade de urina a cada micção.

 NOCTÚRIA –  consiste no aumento da frequencia urinária durante a noite. A ICS considera normal acordar para urinar até uma vez durante a noite. Mais do que isso já caracteriza frequencia elevada. Importante saber aqui que durante o sono ocorre em nosso corpo aumento da excreção de vasopressina, que é um hormônio antidiurético, diminuindo a filtração no rim e a formação de urina. Por isso conseguimos passar muitas horas sem urinar quando estamos dormindo, o que não ocorre quando estamos acordados. A nocturia é caracterizada quando a pessoa acorda por causa da vontade de urinar, ou seja, estava dormindo. Não se considera noctúria quando a pessoa urina mais de uma vez à noite quando tem algum distúrbio do sono que a impeça de dormir, pois assim a excreção de vasopressina estará alterada devido à falta de sono e o enchimento da bexiga será maior.

ENURESE –  significa fazer xixi na cama.

Pode ocorrer uma contração não inibida do detrusor durante a noite, com consequente perda de urina.

Geralmente a IUU está relacionada à urgência miccional seguida de perda, com a associação desses sintomas (frequencia urinária aumentada, noctúria e enurese). Isso, no entanto, não significa que todos estão SEMPRE presentes. Esses sintomas associados isoladamente também não caracterizam incontinência.

A Incontinência Urinária de Urgência muitas vezes ocorre concomitante à Incontinência Urinária de Esforço, sendo assim considerada INCONTINÊNCIA URINÁRIA MISTA.

Vamos continuar conversando sobre IUU no próximo post. Caso tenham alguma dúvida até aqui é só escrever.

Ótima semana a todos.

Incontinência Urinária de Esforço – Teoria integral e fatores de risco

Olá, vamos começar a nos aprofundar no tema “Incontinência Urinária de Esforço (IUE)”. Para isso, antes precisamos entender um pouquinho mais de anatomia. Hoje aprenderemos um conceito importante, o da Teoria Integral da Continência.

TEORIA INTEGRAL DA CONTINÊNCIA

Recordando: a IUE é caracterizada pela perda de urina aos esforços, quando a pressão de fechamento da uretra for menor que a pressão exercida pela bexiga.

No entanto, existem outras estruturas envolvidas, além dos músculos do assoalho pélvico.

Observe na figura ao lado que a bexiga, assim como o útero e o intestino, não fica solta na cavidade pélvica.  Ela está sustentada por ligamentos e fáscias, os quais precisam estar íntegros para que haja continência.

Os ligamentos ajudam a fixar a bexiga e mantê-la em sua posição normal. São bastante ricos em colágeno.

As fáscias, além de ajudar na sustentação, permitem o deslizamento das estruturas do corpo. Elas estão presentes em todo o corpo, entre os tecidos musculares e entre as vísceras.

Para entender melhor vamos novamente associar com algo que conhecemos. Imagine os ligamentos como cordas prendendo um objeto a uma parede, como um alpinista escalando, ou uma rede à árvores.

Precisa ser forte o suficiente para oferecer suporte, mas tem uma pequena mobilidade.

Agora vejam essa imagem. Muitos de nós já brincaram de escorregar na lona molhada. Mas porque usar a lona e não se jogar direto na grama? Porque a lona diminui o atrito e facilita o deslizamento. Esse mesmo efeito de deslizameto é realizado pelas fáscias .

 Muito bem. Voltemos ao corpo humano. Já sabemos que os órgão pélvicos possuem ligamentos que os sustentam e fáscias entre eles que, além da sustentação, possibilitam que deslizem entre si. Tudo isso possibilita que estejam sempre em suas posições anatômicas normais. Ao aumento da pressão intraabdominal se movimentam,  mas depois voltam à posição incial.

Mas e o períneo?

O períneo, ou assoalho pélvico, está dando suporte por baixo. O próprio nome ASSOALHO já caracteriza sua função. Qualquer aumento de pressão intraabdominal é transmitido às estruturas acima citadas.

A Teoria Integral da Continência preconiza que todas essas estruturas devem estar em perfeito funcionamento para não haver incontinência.

 Como analogia, para uma casa ficar em pé toda a sua estrutura de sustentação, suas vigas, alicerces, paredes etc, devem estar em perfeita condição. Assim como o assoalho deve ser forte o suficiente para suportar o pressão exercida pela casa. Caso alguma dessas estruturas falhe a casa pode ter problemas.

Muito bem, agora que estamos mais informados sobre a Teoria Integral da Continência, vamos começar  a pensar, com base nisso, o que poderia talvez levar à Incontinência Urinária de Esforço.

FATORES DE RISCO

Ser Mulher

A Incontinência Urinária é mais frequente no sexo feminino que no masculino, por diversos fatores. Alguns estudos dizem que cerca de 50 % das mulheres terão incontinência em algum momento da vida, outros relatam que até 80%.

Primeiro por questão puramente anatômica: a uretra da mulher é mais curta que a do homem. Assim o caminho de saída da urina é menor.

Além disso sofrem alterações hormonais, podem engravidar, podem realizar uma cirurgia ginecologica etc, o que falaremos também.

Gravidez

Independente do tipo de parto, o próprio fato  de engravidar pode aumentar o risco de desenvolver IUE, que pode ocorrer durante a gravidez, no puerpério ou mesmo algum tempo depois.

Durante a gravidez a mulher sofre alterações hormonais que deixam os ligamentos mais frouxos. Associado a isso ocorre um crescimento enorme do útero, que está localizado logo atrás da bexiga, com reorganização de todos os órgão pélvicos.

Além disso durante os 9 meses fica uma sobrecarga de peso extra sobre o períneo.

Menopausa

Com o chegar da menopausa a mulher passa por uma alteração hormonal importante, com diminuição da produção de estrogênio. Ocorre, dentre outras coisas, um decréscimo da produção de colágeno e a musculatura corporal, assim como a do períneo, fica mais flácida. Os ligamentos também ficam mais frouxos. Além disso a mucosa da vagina, pela falta do estrogênio, fica mais fina.

Em vista de todos esses acontecimentos e pensando na Teoria Integral da Continência podemos entender porque muitas mulheres desencolvem IUE nessa fase da vida.

Idade

A incidência de Incontinência Urinária é grande em idosos. Isso porque com o envelhecimento a flacidez aumenta, assim como o controle neural sobre os músculos diminui.  Os músculos estão mais atrofiados e o sistema nervoso não é mais tão eficaz como era anteriormente.

A própria diminuição da mobilidade e  consequente dificuldade em chegar até o banheiro pode estar relacionada com episódios de perda urinária no idoso.

Cirurgia Ginecológica

Qualquer cirurgia ginecológica vai interferir em todo o mecanismo de posicionamento e deslizamento dos órgão pélvicos.

No entanto a retirada do útero, denominada histerectomia, é uma cirurgia bastante relacionada com IUE.  Lembre que o útero está posicionado bem no meio, estando a bexiga à sua frente e o intestino atrás. Com sua retirada esses  órgãos precisam se reestruturar dentro da cavidade pélvica.

Obesidade

Preste bastante atenção nessa figura. À esquerda um indivíduo obeso e à direita um magro. Veja como no obeso todas os órgaos internos estão mais apertados, o que não acontece no outro. Veja dentro do círculo verde a bexiga nos dois casos. Observe que no indivíduo magro a bexiga está mais para cima e até parece maior, apesar de estar em um corpo bem menor. Agora imagine a pressão que todos os órgão e o tecido de gordura exerce constantemente sobre a bexiga e até sobre o períneo.

Na obesidade a pressão intraabdominal já é mais elevada, o que favore a Incontinência Urinária de Esforço.

Tabagismo

O tabagismo está relacionado com diminuição da produção de colágeno. Por isso a pele de pessoas que fumam é mais envelhecida que a de não fumantes. No entanto, essa queda do colágeno pode trazer outras consequencias além do efeito estético. Os músculos e ligamentos podem ficar menos eficazes, o que, com base na Teoria Integral da Continência, pode levar a uma IUE.

Além disso pessoas que fumam tendem a apresentar tosse crônica, que é outro fator relacionado com esse tipo de incontinência.

Constipação

A constipação cronica pode estar associada a maior risco de IUE. Realizar força de explusão acentuada no momento de evacuar repetidas vezes pode causar lesão da musculatura pélvica. Fora a pressão intraabdomnial elevada em todos esses momentos.

Atividade Física Intensa

A imagem ao lado demonstra exatamente o que pode ocorrer ao realizar exercícios físicos intensos sem um preparo de períneo adequado. A atleta perdeu urina em plena prova.

Muitas atividades físicas, e não somente o levantamento de peso, ocasionam um grande aumento da pressão intraabdominal, com sobrecarga sobre todas as estruturas pélvicas podendo levar a IUE. Entre elas estão a corrida, o jumping, o volei, a musculação etc.

Doenças Associadas

Algumas doenças podem aumentar o risco de IUE:

- Doenças Respiratórias Crônicas: pacientes que apresentam tosse crônica podem vir a desenvolver IUE

- Diabetes: devido a alteração de inervação da musculatura perineal e/ou da bexiga.

- Doenças neurológicas: alteração do controle motor do períneo ou do controle neural. Veremos posteriormente no tópico de Bexiga Neurogênica.

Acabamos de conhecer os fatores de risco pra IUE. Alguns são evitáveis e outros não. Se enquadrar nesses fatores não quer dizer que irá desenvolver IUE  e não se enquadrar não  exclui a possibilidade de  desenvolver. O importante é termos conhecimento do  que pode aumentar o risco pra pensar em prevenção.

Discutiremos prevenção mais pra frente, quando formos falar de tratamento.

Ótima semana a todos e sintam-se à vontade para escrever caso tenham dúvidas.

Incontinência Urinária de Esforço

Como o próprio nome já diz, a Incontinência Urinária de Esforço (IUE) é a aquela em que ocorre perda de urina em situações de esforço, como ao tossir, espirrar, carregar peso etc.  Vamos entender como funciona.

Antes de falar em bexiga e urina acho interessante associarmos com coisas que conhecemos. Veja esta cachoeira. Todos nós sabemos que a tendencia de um líquido será sempre ir de um lugar mais alto pra um mais baixo. Se não tiver nada para segurar a água lá em cima da cachoeira ela vai cair.

 

 

Agora vejamos as fotos ao lado. Ambas são de hidrelétricas. Na primeira as comportas estão fechadas e a água está represada lá em cima. Na segunda as comportas foram abertas e o líquido, antes represado, está descendo.

Essas comportas da hidrelétrica precisam ser bastante resistentes pra conter a força que a água represada lá em cima faz o tempo todo pra sair. Lembre da cachoeira, esse líquido vai senpre tender a descer.

Vamos  associar com o que acontece na bexiga. A urina é formada constantemente pelos rins, sendo armazenada na bexiga, que neste momento é um reservatório.  Os músculos periuretrais funcionam como as comportas da hidrelétrica, necessitando ser fortes o suficiente para manter a urina lá dentro da bexiga na fase de enchimento.

No momento de urinar relaxamos esses músculos, ou seja, “abrimos as comportas”.

 

Muito bem. Agora é hora de falarmos um pouco sobre pressão.

Imagine uma bexiga cheia de água.  Se a bexiga estivesse virada para baixo sabemos que a água sairia pelo orifício.  No entanto o que nem todos sabem é que o tempo todo o líquido ali dentro está fazendo pressão nas paredes da bexiga para sair.  Tanto é que se estourarmos essa bexiga veremos que a água está exatamente naquele formato. Isso porque o líquido vai sempre tender a ir de um lugar de maior pressão pra um de pressão menor. A pressão dentro da bexiga é maior do que a da atmosfera e a água tende a sair.

 

O mesmo acontece na bexiga urinária. A urina vai o tempo todo fazer pressão para sair e cabe aos enfincteres uretrais estarem fortes os suficiente para fechar a saída. Assim a pressão de fechamento da uretra deve ser maior que a exercida pela urina dentro bexiga para haver continência. Caso contrário, se a pressão dentro da bexiga for maior que a exercida pelos músculos peri-uretrais vai haver perda de urina.

 

Resumindo:

Agora que já temos o conceito de pressão vamos pensar na localização da bexiga e sua relação com determinadas situações.

 Lembrando, a bexiga fica localizada numa região baixa do abdomen, em frente ao  útero.

Na parte mais superior do abdomen está o diafragma respiratório. Na parte mais inferior estão os músculos do períneo. Anteriormente temos os músculos abdominais e posteriormente os músculos das costas.

Veja que esses quatro componentes formam uma cavidade, a região intra-abdominal. Este é um conceito importante para entendermos o que vem a partir de agora. Lembre que a bexiga está lá dentro.

 

Agora pense nas seguintes situações:

 

 

 

 

 

O que acontece com a barriga? Façam o teste. Coloquem a mão sobre a barriga ao tossir, espirrar, gargalhar ou praticar esporte. Vocês verão que a musculatura abdominal contrai. Em situações como estas a pressão intra-abdominal aumenta.

 Lembrando que a bexiga está dentro dessa região abdominal, consequentemente a pressão sobre a bexiga também aumenta.

Em situações normais concomitante ao aumento de pressão intra-abdominal ocorre contração da musculatura peri-uretral, mantendo o fechamento e a continência.

No entanto, pode ser que essa musculatura não seja suficientemente eficaz para segurar a saída da urina nesses casos de esforço, ocorrendo perda urinária, o que caracteriza a Incontinência Urinária de Esforço.

 

 

 

 

Em situações mais graves pequenas alterações de pressão abdominal podem ser suficientes para ocasionar perda. Por exemplo, o simples fato de mudar da posição sentada pra em pé, carregar uma panela, caminhar  etc.

Lembre-se que em nenhum momento da vida é normal perder urina. Claro que existem ocasiões em que é mais comum, no entanto existe tratamento e pricipalmente prevenção. Fiquem atentos para esses sintomas!

Vamos falar bastante ainda de IUE, sobre fatores de risco, exames, prevenção e tratamento. Escrevam caso tenham dúvidas até aqui.

Ótima semana.

Incontinência urinária

Olá, agora que já vimos como funciona o controle da bexiga e o ato de urinar, vamos conversar um pouco sobre Incontinência Urinária.

A Incontinência Urinária (IU) é definida pela Sociedade Internacional de Continência (ICS) como qualquer perda involuntária de urina.

Apesar de  poder ocorrer no sexo masculino é mais comum em mulheres. Alguns fatores referentes ao sexo feminino explicam essa maior ocorrência: uretra mais curta, presença da fenda vaginal, influência da menopausa e gravidez.

Estima-se que 40% das mulheres terão incontinência urinária em algum momento de suas vidas. Assim é um tema muito importante de ser abordado e conversado. Você alguma vez já tossiu e saiu um pouquinho de xixi? Ou teve vontade de urinar e não deu tempo de chegar ao banheiro? Ou ainda tem vontade de urinar o tempo todo e acorda várias vezes a noite por causa disso? Já conversou sobre isso com seu médico?

Infelizmente muitas mulheres acham que ter um escape de vez em quando é normal, não dão importância a isso e só procuram ajuda quando os sintomas começam a priorar tanto que chegam a atrapalhar a vida social. Outras, nem assim procuram. Por vergonha ou devido a tabus vão convivendo com a incontinência como se fosse algo natural.

Mas o que é normal e o que é patológico? A ICS considera normal urinar de 4 a 8 vezes por dia e até uma vez à noite, o que dá  cerca de 1 vez a cada 3 horas. Urinar toda hora e/ou acordar mais de uma vez à noite pra urinar já pode ser um sinal de que algo não vai muito bem. Perder urina em situações como espirrar, tossir ou rir, por exemplo, não é normal em nenhuma idade. Ficar com a calcinha molhada de xixi porque pingou durante o dia também não. Assim como ter vontade intensa de urinar de repente, sendo necessário sair correndo pro banheiro, perdendo ou não urina no caminho.

Se você apresenta algum desses sintomas você pode ter incontinência urinária. Marque uma consulta com seu ginecologista e explique o que está acontecendo. O médico, geralmente o ginecologista ou o urologista, é o profissional responsável por fazer seu diagnóstico. Algumas patologias, como a infecção urinária, por exemplo, podem levar a sintomas parecidos com  os da incontinência. Seu médico, através de seu histórico, uma avaliação física e provavelmente alguns exames chegará ao diagnóstico adequado.

A Incontinência Urinária, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma patologia somente de mulheres idosas, podendo ocorrer em qualquer época da vida. Em crianças (teremos um post só pra esse tema mais pra frente), em jovens,em gestantes, em mulheres que acabaram de entrar na menopausa e em idosas. Assim toda hora é hora de ficar atenta.

Existem diferentes causas e tipos de IU.

Incontinência Urinária de Esforço (IUE)

Quando ocorre perda de urina ao tossir, espirrar, carregar peso ou fazer atividade física,por exemplo. Ou seja, situações em que após um esforço há saída de xixi.

Ocorre porque a pressão exercida sobre a bexiga é maior que a pressão de fechamento da uretra.

 

 

Incontinência Urinária de Urgência (IUU)

Caraterizada por uma série de sintomas, sendo o principal uma vontade repentina e muito forte de urinar que se faz necessário sair correndo ao banheiro.

Geralmente associada frequencia elevada de idas ao banheiro durante o dia e à noite.

 

 

Incontinência Urinária Mista (IUM)

Uma associação dos dois tipos anteriores. Ocorre tanto sintomas de esforço quanto de urgência.

 

 

 

Incontinência por Transbordamento

Gotejamento de urina, que deixa a calcinha sempre molhada, independente de haver esforço.

 

 

Incontinência por Bexiga Neurogênica

Uma alteração neurológica pode alterar o funcionamento adequado da bexiga. Lembre do controle neural da bexiga visto anteriormente. Assim situações como um AVC, um trauma na medula, a Esclerose Múltilpla, dentre outros, podem alterar esse controle e levar a diferentes quadros de incontinência.

 

 

Incontinência Urinária Infantil

O momento de sair das fraldas é muito importante pro controle adequado da bexiga e pra ganho de coordenação no ato de urinar. Os pais precisam ficar atentos nos hábitos urinários de seus filhos, pois as crianças podem desenvolver disfunções miccionais nessa fase.

 

Incontinência Urinária Transitória

Algumas mulheres podem ter incontinência devido a algumas situações específicas, que uma vez não mais presentes o  sintoma urinário some. Por exemplo, após uma cirurgia, durante a gravidez ou no pós parto recente, devido a uma infecção urinária etc.

 

 

 

Vamos falar mais detalhadamente sobre os tipos de Incontinência Urinária em diversos posts mais pra frente. Assim como sobre fatores de risco, exames, prevenção e tratamento.

Já sabem, tendo dúvidas é só escrever. Tenham uma ótima semana.

Controle da bexiga

Olá, vamos conversar um pouquinho agora sobre o controle neurológico da bexiga.

Já aprendemos que quando bebês o ato de urinar é reflexo, ou seja, a bexiga vai enchedo e conforme se distende manda esta informação pra medula, de onde volta um comando pra bexiga contrair e o períneo relaxar. E que depois vamos adquirindo controle voluntário sobre isso.

Hoje vamos aprender com mais detalhes como funciona.

 

 

O Sistema Nervoso humano é bastante complexo e precisaríamos de várias aulas pra entender seu funcionamento completo.

O objetivo aqui é apresentar de maneira simplificada suas divisões para que todos possam entender, com ênfase no mecanismo neurológico de controle da bexiga.

 

 

Nosso Sistema Nervoso é dividido em  Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP).

O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal.

O SNP é formado pelos nervos que saem da medula.

 

 

Aqui temos uma ilustração mais detalhada do Sistema Nervoso Central. Estamos acostumados a falar em cérebro, mas o cérebro é apenas uma parte de um conjunto de estruturas importantes que formam o encéfalo. Essas estruturas estão descritas ao lado, juntamente com a medula espinhal.

 

 

O Sistema Nervoso Periférico é dividido em dois: SNP Somático e SNP Autônomo.

O SNP Somático é responsável por conduzir as informações do cérebro para os músculos esqueléticos. Assim tem relação com atividades voluntárias.

O SNP Autônomo é responsável por conduzir a informação do cérebro para as vísceras (músculos lisos) e para o músculo do coração. Tem, assim, relação com funções involuntárias.

 

O cérebro funciona, então, como um computador central e a medula seria seu cabo principal de entrada e saída de informações. Ao longo deste cabo vão ocorrendo ramificações, que representam os nervos periféricos (somáticos e autônomos). Primeiro saem nervos mais grossos, que também vâo se ramificando, formando uma rede de informações. As ramificações finais atingem milhares de estruturas do corpo e mandam informações delas pro cérebro, que as processa (sob inlfluência das demais partes do encéfalo), toma decisões e as envia de volta.   Assim acontece constamente todas as atividades do corpo humano.

Agora que já tivemos uma visão geral e simplificada de como funciona nosso Sistema Nervoso vamos começar a falar sobre o controle neurológico da bexiga.

Lembrando que a bexiga é formada pelo detrusor, que é um músculo liso. Assim deve sofrer alguma influência do SNP Autônomo. Então, vamos falar mais um pouquinho sobre esse sistema.

O SNP Autônomo é dividido em Simpático e Parassimpático. Acima estão algumas das atuações de cada um deles. Como tem atuação em musculatura lisa, é reposável por atividades involuntárias do nosso corpo, ou seja, em situações que não temos controle voluntário. Perceba que o Simpático é responsável pelo relaxamento da bexiga e o Parassimpático por sua contração.

Aqui podemos ver duas regiões importantes da medula. A região entre a décima vertebra torácica e a segunda lombar, que está sob influência do SNP Autônomo Simpático. E a região entre a segunda e quarta vértebras sacrais que sofre influência tanto do SNP Autônomo Parassimpático como do SNP Somático da região de períneo.

Lembrando quando a bexiga está enchendo o detrusor está relaxado e a musculatura periuretral está contraída. Nesse momento o parassimpático está inibido e o simpático está ativado.

Quando vamos urinar o parassimpático deixa de ser inibido e começa a atuar. Nesse momento o simpático é desativado. Ocorre relaxamento de períneo e esfíncter uretral e contração do detrusor, com saída da urina em jato.

Veja em “Como fazemos xixi”.

Recordando que quando bebês esse mecanismo todo ocorre de forma reflexa. A bexiga distende e manda informação pra medula de onde parte o comando que leva à micção. Conforme vamos crescendo somos estimulados a controlar esse ato de urinar. Nesse momento o cérebro passa a atuar como modulador dos sistemas simpático e parassimpático.

A bexiga  vai enchendo e os receptores dentro dela vão sendo estimulados. Essa infomração é passada pelos nervos aferentes da bexiga para a medula. Agora, ao invés de simplesmente voltar um comando de contração do detrusor e relaxamento dos músculos periuretrais de forma reflexa essa informação sobe até o encéfalo. Nada acontece até que o cérebro permita. Assim, o parassimpática permanece inibido e o simpático ativado.

Quando temos a sensação de bexiga cheia vamos decidir, conscientemente, qual é o momento de urinar. Caso tenhamos possibilidade vamos ao banheiro e decidimos que é o momento. Neste instante o cérebro manda uma informação para a medula, liberando o parassimpático e desativando o simpático. É quando relaxamos a musculatura de esfínter uretral e períneo e reflexamente ocorre contração do músculo da bexiga, com saída da urina em jato.

Assim que o esvaziamento da bexiga se completa o parassimpático imediatamente é ser inibido e o simpático volta a prevalecer.

O cérebro é o principal comandante desse sistema. É ele que recebe a sensação de plenitude da bexiga e que toma as decisões. No entanto, sofre influência das demais regiões do encéfalo. E isso é importante saber para entender alguns sintomas e algumas orientações mais pra frente.

Existe uma estrutura chamada cerebelo. Veja ao lado sua localização na parte posterior da cabeça. É reponsável pela nossa coordenação, pelo nosso equilíbrio e controle postural durante os movimentos.

O cerebelo interfere no mecanismo de micção. Precisamos ter coordenação para relaxar o esfíncter no momento necessário. Além disso precisamos estar numa postura confortável para urinar adequadamente. Agora imagine a mulher que urina em pé, meio agachada, toda tensa em um banheiro público. Fica difícil pro cerebelo manter essa postura e a coordenação.

 Outra região importante do cérebro relacionada com a micção é o sistema límbico, que é formado pelas estruturas descritas ao lado.

O sistema límbico está relacionado com as nossas emoções.

Vocês conhecem alguém que quando fica emocionado urina nas calças, ou que quando está nervoso tem que ir correndo ao banheiro? Ou quando vai fazer aquela prova ou passar pela entrevista decisiva de emprego fica com o controle da bexiga todo alterado?

É o sistema límbico que está atuando.

Bastante complexo, não é? Mas essas informações são importantes para que mais pra frente possamos entender como são as disfunções urinárias, porque seguir algumas orientações e para que servem alguns tratamentos.

Tenham uma ótimo começo de ano. Qualquer dúvida é só escrever.

Funcionamento normal da bexiga

Vamos aprender com mais detalhes o funcionamento normal da bexiga.

Retomando: a urina é formada nos rins, passa pelos ureteres e vai até a bexiga, onde fica armazenada .

Durante essa fase de enchimento, a bexiga deve estar relaxada e os músculos peri-uretrais contraídos.

Quando vamos urinar relaxamos a musculatura peri-uretral e ocorre contração do músculo da bexiga, chamado detrusor, com expulsão de toda a urina.  

A bexiga, então, funciona como um reservatório até o momento de urinarmos. Para isso precisa ter capacidade de comportar toda a urina que está sendo formada constantemente pelos rins.

Por outro lado, quando vamos urinar, precisa ter força de contração suficiente pra expulsar toda a urina ali armazenada.

Aprendemos anteriormente sobre os tipos de músculos. Observe no desenho ao lado como são as fibras do músculo liso.

 

 

Veja agora a disposiçao dessas fibras no detrusor, músculo da bexiga. Elas, em situações normais, tem capacidade de distender durante a fase de enchimento da bexiga  e de contrair na fase de esvaziamento.

Para entendermos como funciona vamos mais uma vez associar com algo que estamos acostumados a ver.

 Imagine uma bexiga de festa. Ela tem uma elasticidade que permite sua distensão quando começamos a enche-la de ar. O mesmo acontece na bexiga urinária. Ela, quando relaxada, tem a capacidade de distender conforme a urina vai sendo armazenada. Essa característica é denominada complacência vesical.

A bexiga da mulher tem capacidade de armazenar cerca de 400 a 500 ml e a do homem 300 a 400 ml.

Ao atingir metade da capacidade sentimos uma primeira e fraca vontade de urinar, que muitas vezes passa despercebida. Mas quando chegamos perto de nossa capacidade máxima os receptores presentes dentro da bexiga são bastante estimulados e sentimos uma vontade real de urinar. Nosso corpo está nos mostrando que é o momento de ir ao banheiro. E deveríamos sempre respeitar esse desejo.

A Sociendade Internacional de Continência (ICS) considera como normal urinar de 4 a 8 vezes por dia e até 1 vez a noite (acordar uma vez durante a noite pra urinar não é considerado incontinência).  

 O ideal seria urinarmos toda vez que sentíssemos vontade, com saída de mais ou menos a quantidade da capacidade vesical normal (cerca de 400 ml) de urina em jato.

No entanto, muitas vezes adaptamos nossos hábitos urinários de acordo com nossa vida social e não respeitamos muito a fisiologia normal. Esses hábitos PODEM levar a alterações funcionais no futuro, conforme explicarei abaixo. Não quer dizer IRÃO ocorrer disfunções, nem que essas são suas únicas causas, mas é bom começarmos a pensar nesses hábitos.   

Algumas pessoas fazem xixi várias vezes de forma preventiva, sem estar com vontade. Antes de sair de casa, antes de começar uma tarefa, antes da reunião, antes da ginástica etc. Acontece que, dependendo da frequência desses atos, a bexiga pode perder complacência, porque nunca chega a distender até sua capacidade máxima normal. Ao invés de armazenar 400 ml, pode vir a ser capaz de armazenar, por exemplo, apenas 250 ml ao longo do tempo.

Por outro lado, algumas pessoas tem como hábito passar horas, ou até o dia inteiro, sem ir ao banheiro. A bexiga, nesses casos, vai aos poucos aumentando sua capacidade de armazenamento e os receptores ficam menos ativos. Chega um momento que a bexiga está muito maior que o normal e a pessoa ainda não sentiu vontade de urinar. O problema é que uma bexiga muito grande perde função de contração e assim na hora de urinar o detrusor contrai mas não consegue excretar toda a urina presente dentro da bexiga.

Vamos falar bastante sobre esses hábitos e suas consequencias quando estivermos abordando as disfunções urinárias. No entanto, já comece a prestar atenção em algumas coisas. Quantas vezes você vai ao banheiro por dia? Voce costuma fazer xixi de forma preventiva? Você sente vontade de urinar? Sua urina é em jato? Sai bastante xixi?

No próximo post falaremos como funciona o controle neural da bexiga. Portanto, se tiver dúvidas até aqui pode escrever.

Boa semana a todos.

Como fazemos xixi

Agora que você já sabe um pouco sobre períneo, vamos começar a falar de algumas disfunções.

O primeiro tema que quero abordar aqui é a “Incontinência Urinária”. Mas pra entendermos a incontinência acho importante sabermos antes como é a continência, ou seja, antes de falar do que é anormal temos que saber o que é normal.

Na figura ao lado podemos ver a localização dos rins. O sangue que passa por ali é filtrado e o que for necessário ser excretado vai para bexiga através dos ureteres.

A bexiga funciona como um reservatório até o momento da urina ser expelida através da micção (ato de urinar). Da bexiga sai a uretra, que é canal por onde urinamos.

 

 

Aqui temos uma imagem da bexiga. É um orgão oco, com um tecido muscular chamado detrusor. Então, toda vez que você ouvir falar em contrações do detrusor saiba que se trata do músculo da bexiga. Pois é, a bexiga é um musculo, mas é daquele tipo que  não temos controle voluntário, ou seja, não temos o poder de contrair e relaxar a bexiga de forma direta quando bem entendermos. O que não quer dizer que não temos controle sobre nossa micção, senão andaríamos todos de fralda até hoje.

Observe a uretra e ao seu redor a presença de músculos peri-uretrais. Sobre esses músculos peri-uretrais nós temos controle direto.

Esta é uma outra visão dos músculos que estão em volta da uretra. Observe o esfíncter da uretra e os músculos do períneo. São todos músculos de controle voluntário.

Vamos começar a pensar a respeito. A bexiga é um órgão oco, que armazena urina. Imagine esse reservatório enchendo e com uma abertura embaixo (a uretra).

 

Para ficar mais fácil entender vou associar com algo que estamos acostumados a ver.

Vamos pensar em uma bexiga de festa cheia de água. Na primeira foto ela está com um nó na ponta e assim a água tende a ficar lá dentro. Já na segunda o nó foi solto. O que vai acontecer? A água com certeza vai sair.

 

O mesmo acontece no nosso corpo. O nó da bexiga representa essa musculatura peri-uretral, que está lá fechando por baixo pra não ter escape. E quando essa musculatura relaxa, o que acontece quando vamos urinar, a urina sai. Tudo funciona por diferença de pressão. Quando a pressão de fechamento da uretra for maior que a gerada pelo líquido dentro da bexiga (lembre-se que o líquido vai tender sempre sair) vai haver continência. Quando relaxamos esses músculos a pressão de fechamento da uretra diminui e a urina vai sair.

 

Mas existe outro fator. Nós urinamos em jato, não é? Se fosse apenas relaxar a musculatura peri-uretral esse jato não ocorreria, mas sim uma espécie de gotejamento.

Acontece que quando relaxamos esses músculos ocorre uma contração reflexa da bexiga. Lembra que a bexiga é um músculo? Pois bem, a bexiga contrai de maneira a expulsar todo o conteúdo da urina.

Então, vamos juntar tudo. A urina vai sendo formada constantemente pelos rins e vai se armazenando na bexiga, que é um músculo. A bexiga tem capacidade de se distender. Dentro da bexiga existem receptores que nos dão a sensação de bexiga plena e vontade de urinar. Durante todo esse período os músculos peri-urtrais estão contraídos. Quando vamos urinar relaxamos esses músculos (voluntariamente – apesar de geralmente nem perceber) e a bexiga contrai, expulsando a urina.

 

Quando nascemos e até uma certa idade esse processo é totalmente reflexo. Por isso que os bebês usam fraldas. Eles não tem controle sobre o que está acontecendo.

A bexiga começa a encher e vai se distendendo. À medida que isso acontece os receptores que estão dentro da bexiga são estimulados e mandam informação pra uma determinada região da medula e de lá volta a informação pro esfíncter uretral relaxar e a bexiga contrair. É um arco reflexo.

 

Você provavelmente já ouviu falar desse tipo reflexo ou pode até já ter testado. É o mesmo que ocorre quando batemos com um martelinho no joelho e a perna reponde esticando. Um estímulo naquela região mandou uma informação pra medula e de lá voltou um comando pra um movimento específico. Aqui o comando é esticar a perna. No caso da bexiga o comando é relaxar a musculatura de fechamento da uretra e contrair o detrusor (músculo da bexiga). Veja que aqui em momento algum a informação vai ao cérebro e, assim, não temos atuação voluntária sobre o que está ocorrendo.

 

Chega um momento na vida que temos que encarar o pinico. Esse é um momento muito importante de aprendizagem da criança. Não dá pra usar fralda o resto da vida.

Aqui passamos a controlar esse reflexo. O cérebro começa a participar.

 

Tudo começa da mesma maneira. A bexiga vai enchendo e os receptores são estimulados, mandando essa informação pra medula. Só que agora, em vez de simplesmente ocorrer uma resposta reflexa direta, essa informação sobe pro cérebro, que vai mediar o reflexo. A informação, uma vez na medula, sobre para o cérebro e é lá que ocorre a decisão de liberar ou não a continuidade do reflexo. A criança começa a ser estimulada a prestar atenção se está com vontade de urinar e só fazer xixi quando estiver no pinico. Aprende então, após algumas falhas, a manter a musculatura peri-uretral contraída e só relaxar na hora que estiver no piniquinho, começando assim o controle da micção. Se estiver, por exemplo, brincando e sentir vontade de urinar naquele exato momento o cérebro vai mandar uma informação pra medula de que aquele não é o momento e o reflexo será inibido. No momento em que chegar ao banheiro e sentar no pinico, que é o lugar que aprendeu que pode fazer xixi, o cérebro vai enviar um comando pra medula liberar a continuidade do reflexo e o períneo relaxa, a bexiga contrai e a urina sai.

 

 

Esse controle vai ficando mais fácil com o passar do tempo, após repetição do ato.

Por isso quando nos tornamos adultos nem percebemos que estamos contraindo ou relaxando esses músculos perineais, de tanto que já fizemos isso.

Não precisamos pensar. Simplesmente fazemos!

Sei que é muita informação e talvez um pouco difícil de entender.  Vou falar mais um pouco sobre a fisiologia normal da micção no próximo post, antes de entrar na questão da incontinência. Leiam com calma e se tiverem dúvidas escrevam.

Boa semana e bom feriado a todos.

Aprendendo a contrair

Vimos semana passada que utilizamos o períneo voluntariamente em diversas situações do cotidiano, e nem sabíamos.

Vamos tentar agora realizar essas contrações voluntárias para ganhar mais consciência dessa msculatura.

Muito bem, eu sei que uso esses músculos quando tento segurar o pum. É por aqui que vamos começar. Faça de conta que está com gases e quer segurar o pum. Vamos lá, tente!

Mas como saber se estou fazendo corretamente se eu não consigo ver os músculos ?

Vamos prestar atenção na figura ao lado. Nessa região entre a vagina e o ânus, com uma linha imaginária em azul, encontra-se o centro tendíneo do períneo. Quando realizamos a contração do períneo essa região move para dentro e isso nós conseguimos ver. Quando relaxamos a região volta à posição anterior.

Então quando você for tentar contrair como se estivesse segurando um pum vai saber se está fazendo corretamente se o local entre a vagina e o ânus estiver se movendo para dentro (ou para cima, em direção à cabeça) e quando você relaxar dá pra ver este local voltar para baixo (em direção ao pé). É um movimento suave, mas totalmente capaz de ser visualizado.

Isso você consegue ver realizando a contração em frente a um espelho. Sem roupa, sente em frente a um espelho e localize primeiramente a vagina e o ânus. Depois preste atenção na região entre eles e realize uma contração como se fosse segurar um pum. Veja se essa região vai pra dentro. Ao relaxar preste atençao se está voltando à posição anterior.

Essa contração, quando bem efetuada é possível de ser vista até mesmo com roupa leve.

Uma outra maneira de perceber a contração é através do tato. Coloque a mão na região entre o ânus e vagina e realize a contração como se estivesse segurando um pum. Ao contrair você vai sentir essa região indo para dentro e ao relaxar voltando para baixo. Dá para sentir sem roupa ou com uma roupa leve.

Realizar a contração em superfícies que ficam em contato com o centro tendíneo do períneo, como na bola ou na beira de uma cadeira,  facilita a sua percepção.

 

 

 

 

Quando você contrai o períneo o contato da superfície que você está sentada com a região faz com que fique mais fácil você sentir que está indo para dentro.

Como o períneo é composto por uma musculatura que não estamos acostumados a prestar atenção e contrair como exercício é comum as pessoas não saberem fazer esse movimento de segurar o pum adequadamente, e acabarem utilizando outras musculaturas. É comum contrair os glúteos (músculos da bunda), os adutores (músculos internos da coxa) e os abdominais (músculos da barriga), o que deve ser evitado.

Assim, procure sempre um bom profissional especializado em uroginecologia antes de iniciar exercícios de assoalho pélvico.

Boa semana a todos.

Controle do períneo

Semana passada aprendemos sobre os tipos de músculos e que o períneo é um conjunto de músculos estriados esqueléticos. Assim nós temos  controle sobre eles e podemos contrai-los e relaxa-los sempre que quisermos.

Tudo bem, mas como fazer isso? O períneo está lá embaixo e lá dentro – eu não consigo vê-lo. Como vou saber se estou contraindo ou relaxando?

Vamos pensar um pouco em duas das funções do assoalho pélvico – manutenção da continência urinária e da continência anal. Muito bem, ser continente quer dizer não perder urina,  nem fezes, nem gases. Ou seja, somente urinar, evacuar e soltar flatos quando estiver disposto a tal. É ter controle sobre isso. Vamos abordar esses temas com detalhe mais pra frente.  Agora a intenção é tentar perceber o períneo.

Quando nascemos não temos controle sobre a continência. Nossos pais que o digam, pois trocaram inúmeras fraldas por dia durante muito tempo. Mas chega uma certa idade que ganhamos um peniquinho e passamos a ser estimulados a fazer xixi e cocô ali. Após uma longa trajetória de estímulos e parabenizações conseguimos e passamos a ter controle das nossas funções urinárias e evacuatórias.

Estamos começando a ter controle e coordenação de nossos esfíncteres. Nessa época nos concentramos muito no que estamos fazendo e aprendemos a cada dia, até que fica fácil e passamos a não nos preocupar muito em como fazer. Isso porque com a repetição o ato acaba ficando automático.

Então vamos nos tornando adultos e, a menos que tenhamos alguma disfunção, a ida ao banheiro acaba se tornando uma rotina que não damos atenção.

A gente senta, relaxa e faz xixi. Ou senta, dá uma relaxada  nas pernas, faz uma forcinha com a barriga e faz cocô.

O que você talvez não saiba, ou não percebe, é que nesse momento você relaxa o períneo. E é somente por relaxar o períneo é que você consegue evacuar e urinar sem dificuldade.

Agora imagine essa situação. Quando você está no trabalho e ficou horas na frente do computador postergando a ida ao banheiro. Quando já não está aguentando se dirige ao toilet e o mesmo está ocupado. O colega de trabaho demora pra sair e você está quase fazendo xixi nas calças. Ou pior, está começando a ter cólicas intestinais e parece que está sentindo o cocô querendo sair. O que você faz? Você aperta lá embaixo pra segurar o xixi ou pra fechar o ânus e evitar um acidente, não é? Pois bem, nesse momento você está contraindo os músculos do períneo. Quando finalmente você entra no banheiro, senta no vaso e relaxa lá embaixo, dando aquele suspiro de alívio “ahhhh” você está relaxando o períneo.

Pra finalizar vamos visualizar essa situação. Você comeu aquela feijoada no domingo, tomou umas cervejinhas e voltou pra casa. No carro a barriga começou a fazer uns ruidos e distender. Chegou na garagem, chamou o elevador torcendo pra subir os 15 andares até seu apartamento sem companhia. Mas eis que ao abrir a porta vê que os vizinhos da cobertura estão lá, ou seja, vão subir os 15 andares com você. A vontade de soltar pum fica maior a cada andar que passa e  você segurando, fechando o ânus com todas as forças. Ou, seja, você mais uma vez está contraindo o períneo. Finalmente chega seu andar, você  entra em casa, vai ao banheiro, relaxa lá embaixo e deixa o pum sair. Muito bem, você relaxou o períneo.

Coloquei esses exemplos aqui pra você perceber que você contrai e relaxa o períneo no seu dia a dia e provavelmente nem sabia.

Agora que sabe comece a prestar atenção.  Semana que vem falaremos mais sobre isso.

Boa semana a todos.

Sobre os músculos

Quando você ouve a palavra ” músculo ” o que tem vem à cabeça?  Um rapaz musculoso mostrando o bíceps?

Sim, você acertou. O bíceps é um dos músculos do braço e os homens sarados adoram mostrar. Esse é um tipo de músculo que estamos acostumados a ver no nosso dia a dia, e por isso é facil de entender. Se eu pedir pra alguém dobrar o braço provavelmente a pessoa vai entender o que eu quero e vai fazer o movimento solicitado.

 

Semana passada vimos que exitem diversos músculos no períneo. E se eu te falar, contraia o períneo seria um movimento possível de fazer?

A resposta é SIM.

 

Isso porque o períneo é formado por músculos do mesmo tipo do bíceps, denominados músculos estriados esqueléticos. O que caracteriza esse tipo de músculo é a nossa possibilidade de contração voluntária, ou seja, nós temos a capacidade de contrair e relaxar esses músculos quando quisermos. No nosso dia a dia nós contraimos e relaxamos os músculos do períneo, voluntariamente. Acontece que nem percebemos que estamos realizando esses movimentos, pois de tanto fazer ficaram automáticos. Vamos falar sobre isso mais pra frente.  

Além dos músculos estriados esqueléticos, existem mais dois tipos de músculo:

* Músculo estriado cardíaco: de contração involuntária, ou seja, sem nosso controle voluntário.

O coração é reponsável por bombear o sangue para o nosso corpo.

 

 

 

 

* Músculo liso: também de contração involuntária. Presente no sistema digestivo, na bexiga, nos vasos sanguíneos, no sistema respiratória etc. Falaremos de músculos lisos quando formos descrever a fisiologia da micção (ato de urinar) e da evacuação em posts posteriores.

Agora você já sabe que o períneo é formado por músculos de contração voluntária, ou seja, você tem controle sobre eles. Sabe também a sua localização e suas funções (nas publicações anteriores). Proponho que essa semana você preste atenção e tente descobrir em que momentos está contraindo e quando relaxa essa musculatura.

Até semana que vem.

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