A mulher e o períneo

21/03/2012

Incontinência Urinária de Esforço – Teoria integral e fatores de risco

Filed under: Incontinência Urinária, Incontinência Urinária de Esforço — A mulher e o períneo @ 12:34 am

Olá, vamos começar a nos aprofundar no tema “Incontinência Urinária de Esforço (IUE)”. Para isso, antes precisamos entender um pouquinho mais de anatomia. Hoje aprenderemos um conceito importante, o da Teoria Integral da Continência.

TEORIA INTEGRAL DA CONTINÊNCIA

Recordando: a IUE é caracterizada pela perda de urina aos esforços, quando a pressão de fechamento da uretra for menor que a pressão exercida pela bexiga.

mulher tosse com fonte

 

No entanto, existem outras estruturas envolvidas, além dos músculos do assoalho pélvico.

 

Observe na figura abaixo que a bexiga, assim como o útero e o intestino, não fica solta na cavidade pélvica.  Ela está sustentada por ligamentos e fáscias, os quais precisam estar íntegros para que haja continência.

 

esfíncter uretral com fonte. adapatada com fonte jpg

 

Os ligamentos ajudam a fixar a bexiga e mantê-la em sua posição normal. São bastante ricos em colágeno.

As fáscias, além de ajudar na sustentação, permitem o deslizamento das estruturas do corpo. Elas estão presentes em todo o corpo, entre os tecidos musculares e entre as vísceras.

 

 

Para entender melhor vamos novamente associar com algo que conhecemos. Imagine os ligamentos como cordas prendendo um objeto a uma parede, como um alpinista escalando, ou uma rede à árvores.

Precisa ser forte o suficiente para oferecer suporte, mas tem uma pequena mobilidade.

 

 

 

 

 

 

Agora vejam a imagem abaixo. Muitos de nós já brincaram de escorregar na lona molhada. Mas porque usar a lona e não se jogar direto na grama? Porque a lona diminui o atrito e facilita o deslizamento. Esse mesmo efeito de deslizameto é realizado pelas fáscias .

 

 

 

 

Muito bem. Voltemos ao corpo humano. Já sabemos que os órgão pélvicos possuem ligamentos que os sustentam e fáscias entre eles que, além da sustentação, possibilitam que deslizem entre si. Tudo isso possibilita que estejam sempre em suas posições anatômicas normais. Ao aumento da pressão intraabdominal se movimentam,  mas depois voltam à posição inicial.

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Mas e o períneo?

O períneo, ou assoalho pélvico, está dando suporte por baixo. O próprio nome ASSOALHO já caracteriza sua função. Qualquer aumento de pressão intraabdominal é transmitido às estruturas acima citadas.

A Teoria Integral da Continência preconiza que todas essas estruturas devem estar em perfeito funcionamento para não haver incontinência.

 

 

 

 

 

 

Como analogia, para uma casa ficar em pé toda a sua estrutura de sustentação, suas vigas, alicerces, paredes etc, devem estar em perfeita condição. Assim como o assoalho deve ser forte o suficiente para suportar o pressão exercida pela casa. Caso alguma dessas estruturas falhe a casa pode ter problemas.

Muito bem, agora que estamos mais informados sobre a Teoria Integral da Continência, vamos começar  a pensar, com base nisso, o que poderia talvez levar à Incontinência Urinária de Esforço.

FATORES DE RISCO


Ser Mulher

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A Incontinência Urinária é mais frequente no sexo feminino que no masculino, por diversos fatores. Alguns estudos dizem que cerca de 50 % das mulheres terão incontinência em algum momento da vida, outros relatam que até 80%.

Primeiro por questão puramente anatômica: a uretra da mulher é mais curta que a do homem. Assim o caminho de saída da urina é menor.

Além disso sofrem alterações hormonais, podem engravidar, podem realizar uma cirurgia ginecológica etc, o que falaremos também.

 

 

Gravidez

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Independente do tipo de parto, o próprio fato  de engravidar pode aumentar o risco de desenvolver IUE, que pode ocorrer durante a gravidez, no puerpério ou mesmo algum tempo depois.

Durante a gravidez a mulher sofre alterações hormonais que deixam os ligamentos mais frouxos. Associado a isso ocorre um crescimento enorme do útero, que está localizado logo atrás da bexiga, com reorganização de todos os órgão pélvicos.

Além disso durante os 9 meses fica uma sobrecarga de peso extra sobre o períneo.

 

 


Menopausa

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Com o chegar da menopausa a mulher passa por uma alteração hormonal importante, com diminuição da produção de estrogênio. Ocorre, dentre outras coisas, um decréscimo da produção de colágeno e a musculatura corporal, assim como a do períneo, fica mais flácida. Os ligamentos também ficam mais frouxos. Além disso a mucosa da vagina, pela falta do estrogênio, fica mais fina.

Em vista de todos esses acontecimentos e pensando na Teoria Integral da Continência podemos entender porque muitas mulheres desenvolvem IUE nessa fase da vida.

 

 


Idade

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A incidência de Incontinência Urinária é grande em idosos. Isso porque com o envelhecimento a flacidez aumenta, assim como o controle neural sobre os músculos diminui.  Os músculos estão mais atrofiados e o sistema nervoso não é mais tão eficaz como era anteriormente.

A própria diminuição da mobilidade e  consequente dificuldade em chegar até o banheiro pode estar relacionada com episódios de perda urinária no idoso.

 

 


Cirurgia Ginecológica

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Qualquer cirurgia ginecológica vai interferir em todo o mecanismo de posicionamento e deslizamento dos órgão pélvicos.

No entanto a retirada do útero, denominada histerectomia, é uma cirurgia bastante relacionada com IUE.  Lembre que o útero está posicionado bem no meio, estando a bexiga à sua frente e o intestino atrás. Com sua retirada esses  órgãos precisam se reestruturar dentro da cavidade pélvica.

 

 


Obesidade

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Preste bastante atenção nessa figura. À esquerda um indivíduo obeso e à direita um magro. Veja como no obeso todas os órgãos internos estão mais apertados, o que não acontece no outro. Veja dentro do círculo verde a bexiga nos dois casos. Observe que no indivíduo magro a bexiga está mais para cima e até parece maior, apesar de estar em um corpo bem menor. Agora imagine a pressão que todos os órgão e o tecido de gordura exerce constantemente sobre a bexiga e até sobre o períneo.

Na obesidade a pressão intraabdominal já é mais elevada, o que favore a Incontinência Urinária de Esforço.

 

 


Tabagismo

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O tabagismo está relacionado com diminuição da produção de colágeno. Por isso a pele de pessoas que fumam é mais envelhecida que a de não fumantes. No entanto, essa queda do colágeno pode trazer outras consequências além do efeito estético. Os músculos e ligamentos podem ficar menos eficazes, o que, com base na Teoria Integral da Continência, pode levar a uma IUE.

Além disso pessoas que fumam tendem a apresentar tosse crônica, que é outro fator relacionado com esse tipo de incontinência.

 

 


Constipação

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A constipação cronica pode estar associada a maior risco de IUE. Realizar força de expulsão acentuada no momento de evacuar repetidas vezes pode causar lesão da musculatura pélvica. Fora a pressão intraabdomnial elevada em todos esses momentos.

 

 


Atividade Física Intensa

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A imagem acima demonstra exatamente o que pode ocorrer ao realizar exercícios físicos intensos sem um preparo de períneo adequado. A atleta perdeu urina em plena prova.

Muitas atividades físicas, e não somente o levantamento de peso, ocasionam um grande aumento da pressão intraabdominal, com sobrecarga sobre todas as estruturas pélvicas podendo levar a IUE. Entre elas estão a corrida, o jumping, o volei, a musculação etc.

 

 


Doenças Associadas

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Algumas doenças podem aumentar o risco de IUE:

– Doenças Respiratórias Crônicas: pacientes que apresentam tosse crônica podem vir a desenvolver IUE

– Diabetes: devido a alteração de inervação da musculatura perineal e/ou da bexiga.

– Doenças neurológicas: alteração do controle motor do períneo ou do controle neural. Veremos posteriormente no tópico de Bexiga Neurogênica.

Acabamos de conhecer os fatores de risco pra IUE. Alguns são evitáveis e outros não. Se enquadrar nesses fatores não quer dizer que irá desenvolver IUE  e não se enquadrar não  exclui a possibilidade de  desenvolver. O importante é termos conhecimento do  que pode aumentar o risco pra pensar em prevenção.

Discutiremos prevenção mais pra frente, quando formos falar de tratamento.

Ótima semana a todos e sintam-se à vontade para escrever caso tenham dúvidas.

6 Comentários »

  1. Adorei seu blog! Bastante didático e lindo! Parabéns! Também possui um blog da fisio em saúde da mulher! confira: http://www.fsmulher.com

    Comentário por FSMulher — 31/05/2012 @ 11:03 pm

    • Muito obrigada. Também gostei muito do seu blog.
      Vou voltar a escrever aqui após uma pausa devido a outros projetos e uma viagem. Obrigada por me seguir.
      Abraços

      Comentário por A mulher e o períneo — 10/06/2012 @ 12:02 pm

  2. Achei o teu blog, bastante educativo e ilucidativo. Estou a fazer um trabalho sobre a electroestimulaçao na incontinencia urinaria de esforço e a maneira como expoes os diversos assuntos, deu-me luzes para elaborarçao dos slides da apresentaçao do meu trabalho. Parabéns

    Comentário por edna da costa — 07/07/2012 @ 8:19 pm

    • Obrigada, Edna. Bom saber que meu blog está ajudando as pessoas de alguma maneira. Estou à disposição para troca de experiências. Muito bom encontrar colegas que atuam na área.

      Comentário por A mulher e o períneo — 22/07/2012 @ 10:11 pm

  3. Li vários artigos sobre IUE, mas sem dúvida o seu foi o mais completo e acessível. Tenho muito interesse no assunto; tive um episódio de perda urinária durante uma aula de jump e isso me deixou muito chateada. Conforta saber que não sou a única a enfrentar tal problema e que esse tem solução. Muito obrigada pela ajuda. Andrea Sother

    Comentário por Andrea Sother — 17/01/2013 @ 4:45 pm

    • Obrigada, Andrea.
      Seu relato é um incentivo pra eu voltar a escrever aqui no blog. Tive que parar nesses últimos meses por motivos pessoais, mas agora as coisas estão acalmando e vou me dedicar novamente. Bom saber que consegui ajudá-la. A idéia do blog é exatamente essa.
      Abraço
      Samantha Rizzi

      Comentário por A mulher e o períneo — 17/01/2013 @ 6:55 pm


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