A mulher e o períneo

26/02/2016

Incontinência Urinária por Bexiga Neurogênica

Filed under: Incontinência Urinária — A mulher e o períneo @ 9:15 am

Olá. Antes de iniciarmos a discussão desse tema tão importante, gostaria de fazer um comunicado.

Este blog ficou paralisado por alguns anos, devido a condições pessoais e muita atividade profissional e acadêmica de minha parte. Como tenho compromisso de colocar informações baseadas em muita pesquisa científica, não tive outra opção a não ser adiar esse projeto até um momento em que eu pudesse investir o tempo que ele merece.

Felizmente esse momento chegou. Voltarei a atualizar o blog periodicamente. Ao longo desses anos recebi diversos comentários de leitores. Procurei responder todos por e-mail. Peço desculpas se algum comentário (e alguma dúvida) não tenha sido respondido. Caso isso tenha acontecido, solicito que escrevam de novo, pois os comentários antigos (desse período de inatividade do blog) não serão expostos aqui.

Sejam bem vindos novamente.

Samantha Rizzi

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Vamos conversar um pouquinho sobre Bexiga Neurogênica.

Aprendemos anteriormente em “Como Fazemos Xixi” e em “Controle da Bexiga” que  o ato de urinar depende do funcionamento adequado da bexiga e dos músculos do assoalho pélvico, além da ação do Sistema Nervoso (Central e Periférico).

Incontinência Urinária por Bexiga Neurogênica é aquela ocasionada por alguma alteração no Sistema Nervoso, ou seja, por problemas neurológicos.

Vamos lembrar que nos bebês a bexiga cheia manda informação pra medula, desencadeando um reflexo que leva o assoalho pélvico a relaxar e a bexiga a contrair, com consequente ato de urinar.  Após o desfralde, a informação de bexiga cheia que chega à medula sobe e o ato de urinar passa a ser controlado pelo cérebro. Quando decidimos urinar, vamos ao banheiro, relaxamos o assoalho pélvico (esfincter da uretra) e consequentemente a bexiga contrai com expulsão da urina em jato.

Sabendo disso, fica fácil entender porque qualquer problema neurológico dentro do cérebro pode ocasionar incontinência urinária.

 

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A partir do momento que o funcionamento cerebral está alterado, esse controle consciente do ato de urinar pode ficar prejudicado, com surgimento de Incontinência Urinária por causa Neurogênica.

 

Abaixo estão citadas duas patologias cerebrais bastante comuns , que podem estar relacionadas ao surgimento de Incontinência Urinária:

 

 

Acidente Vascular Encefálico (AVE)

Sintomas-do-AVC(1)

O AVE é popularmente conhecido como AVC (Acidente Vascular Cerebral). O grau de comprometimento da micção vai depender da extensão da lesão e do local do cérebro afetado.

Geralmente logo após o AVE o paciente apresenta retenção de urina por falta de contração do músculo da bexiga – o que se denomina arreflexia do detrusor. Após algumas semanas, o paciente começa a apresentar sintomas de Bexiga Hiperativa, com contrações não controladas do detrusor.

Abaixo está um desenho de uma bexiga com arreflexia (bexiga hipoativa) e de uma bexiga hiperativa.

BHH com fonte

Existem pacientes que conseguem perceber quando a bexiga está contraindo fora de hora (pelo desejo repentino de urinar) e, ao contrair os músculos do assoalho pélvico (esfíncter da uretra), são capazes de evitar a perda urinária. Alguns pacientes, no entanto, apesar de perceberem a contração da bexiga, não terão esse controle adequado de esfíncter e apresentarão perda urinária. Outros, podem nem sentir a contração da bexiga, nem controlar o esfincter.

 

Doença de Parkinson

Parkinson com fonte

A Doença de Parkinson afeta homens e mulheres, com prevalência um pouco maior em homens. O aparecimento da doença pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente após os 60 anos de idade. Os principais sintomas da doença são tremores, rigidez muscular, falta de expressão facial e dificuldade em iniciar movimentos.

No entanto, mais da metade dos pacientes com Parkinson apresenta também sintomas de incontinência urinária. O local do cérebro afetado pela Doença de Parkinson é chamado Substância Negra e essa região tem efeito inibitório do reflexo de micção, ou seja, ajuda a bexiga a ficar relaxada na fase de enchimento vesical. Assim, quando a substância negra está afetada, esse efeito de inibição pode diminuir, ocasionando sintomas de urgência miccional ou Bexiga Hiperativa. Além da alteração na bexiga, os pacientes geralmente apresentam perda do controle muscular do assoalho pélvico. Assim, a bexiga contrai, mas o esfincter pode permanecer fechado – essa situação é denominada dissinergia detrusor – esfincteriana.

Apesar do padrão relatado acima acontecer na maioria dos casos, alguns pacientes podem desenvolver bexiga hipoativa. Nesses casos, a bexiga não contrai ou contrai com pouca força. Essa situação, associada ao fechamento do esfíncter por incoordenação, devido a falta de controle muscular, ocasiona esvaziamento incompleto da bexiga e retenção urinária.

 

 

 

Além das alterações cerebrais, problemas na medula e nos nervos periféricos também podem levar a incontinência urinária. Vamos conversar um pouquinho aqui sobre as lesões medulares.

 

niveismedula com fonte

Antes de começarmos, importante explicar que durante nosso desenvolvimento existe uma diferença de ritmo de crescimento entre a coluna e a medula. Esse crescimento desigual entre coluna e medula faz com que não haja correspondência exata entre a vértebra e o segmento da medula subjacente, principalmente no final do coluna. Observe no desenho ao lado essa relação.

 

Importante saber esse dado, pois dependendo do local de lesão medular pode haver um padrão diferente de incontinência urinária.

 

 

 Lesão medular

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A medula espinhal pode sofrer lesões de diversas origens. As lesões traumáticas são as mais frequentes: acidentes de trânsito, quedas, lesões por arma branca ou arma de fogo, agressões etc. São lesões comuns em pessoas jovens.

Lesões na região cervical ou torácica alta causam tetraplegia e lesões na região lombar ou torácica baixa causam paraplegias. Essas lesões podem ser totais (total destruição da medula naquele seguimento) ou parciais. Dependendo do grau de lesão, as sequelas serão de perda total ou parcial do movimento abaixo do nível de lesão.

 

Sabendo que o controle e a coordenação do enchimento e do esvaziamento da bexiga dependem da integridade do Sistema Nervoso Central e Periférico, fica fácil saber porque as lesões medulares também ocasionarão disfunções urinárias.

Vamos recordar o controle da bexiga. O Sistema Nervoso Autônomo é parte do Sistema Nervoso Periférico. O Sistema Nervoso Simpático é responsável por manter a bexiga relaxada e o períneo contraído na fase de enchimento vesical e o Sistema Nervoso Parassimpático é responsável pela contração da bexiga e relaxamento do períneo durante a fase de esvaziamento.

centro da micção com fonte

 

Após lesão medular, podemos dividir o quadro clínico do paciente em duas fases: aguda e crônica.

fase aguda também é chamada de fase de choque medular. O padrão urinário encontrado é de arreflexia (bexiga hipoativa). O paciente fica com retenção urinária, pois a bexiga não tem força de contração necessária para esvaziar.

Após essa fase de choque, que pode durar de seis a doze semanas mais ou menos, inicia-se a fase crônica. O padrão urinário a partir desse momento vai depender da altura da lesão medular: se a lesão for acima da região sacral (suprassacral) da medula ou se for na região sacral da medula.  A lesão pode ocorrer também abaixo da região sacral, nos nervos periféricos abaixo dessa região.

 

medular-1 com fonte

 

 

 

 

 

 

 

Lesão medular suprassacral: geralmente ocorre perda do controle voluntário da micção. O padrão é de contrações não controladas da bexiga – bexiga hiperativa. Além disso, o paciente perde a coordenação entre o contração da bexiga e relaxamento de esfincter. A bexiga contrai, mas o esfincter pode não estar relaxado. Isso aumenta a pressão dentro da bexiga.

 

Lesão medular sacral: O centro parassimpático está localizado na região sacral. Lembrem que ele é o responsável por promover a contração da bexiga. O padrão mais comum quando tem lesão medular nesse local  é o de bexiga hipoativa. No entanto, se a lesão for incompleta, o paciente pode apresentar padrão de hiperatividade. O padrão de atividade do esfíncter é variável – pode estar com tensão elevada ou diminuída.

 

Lesão nos nervos periféricos abaixo da região sacral: Quando ocorre lesão nessa altura, geralmente o paciente tem bexiga hipoativa. Pode ocorrer também prejuízo da função de controle de esfincter.

 

 

 

Os padrões descritos acima são os mais comuns, mas devem ser investigados e avaliados periodicamente, pois podem alterar ao longo do tempo. O exame que evidencia qual o padrão existente é o EXAME URODINÂMICO. Falaremos bastante desse exame mais pra frente neste blog.

 

O paciente com lesão medular deve ser sempre acompanhado por urologista, para evitar complicações. Infecções urinárias são frequentes nesses pacientes. Além disso, devido a dificuldade em controlar esfincter associada à retenção urinária por bexiga flácida ou  contração não controlada da bexiga no caso de bexiga hiperativa, pode haver, dentre outras complicações, refluxo da urina da bexiga pros rins. Esse quadro é grave e pode levar a comprometimento renal irreversível. Então, atenção contínua à função urinária do paciente com lesão medular é essencial.  

Falaremos mais sobre isso quando formos conversar sobre tratamento da Incontinência Urinária.

 

Antes de concluir, gostaria de enfatizar que aqui foram relatadas apenas algumas causas de Bexiga Neurogênica. Importante sabermos que qualquer alteração no Sistema Nervoso Central ou Periférico que interfira no funcionamento da bexiga pode ocasionar Bexiga Neurogênica.

 

 

Ótimo fim de semana a todos.

10/06/2012

Incontinência Urinária de Urgência

Filed under: Incontinência Urinária, Incontinência Urinária de Urgência — A mulher e o períneo @ 4:56 pm

Olá, agora vamos conversar sobre a Incontinência Urinária de Urgência (IUU).

Antes de qualquer coisa é necessário definir o que é URGÊNCIA.
Bom, urgência é caracterizada por uma vontade repentina e intensa de urinar, ou seja, de repente a pessoa sente uma vontade muito forte de urinar que necessita ir correndo ao banheiro. Antes disso não estava sentindo nada.

Mas porque isso acontece?

 

 

 

 

 

 

 

 

Vamos recordar o funcionamento da bexiga. O músculo que constitui a bexiga chama-se detrusor e está relaxado durante a fase de enchimento. Os rins formam urina constantemente e a mandam para a bexiga, que funciona como um reservatório até o momento de urinar. A bexiga, relaxada, se distende até atingir uma capacidade tal que os receptores presentes dentro dela mandam infomação que está cheia e a pessoa sente vontade de urinar. Durante esse período os músculos periuretrais estão contraídos. Quando vamos urinar relaxamos o assoalho pélvico e o músculo detrusor contrai expulsando a urina.

 

 

 

 

A urgência miccional acontece quando, por algum motivo, o músculo da bexiga contrai fora de hora, durante a fase de enchimento. Nesse momento a pessoa sente uma vontade repentina e intensa de urinar. Caso consiga chegar ao banheiro a tempo considera-se um episódio de urgência. Mas se perder urina no meio do caminho denomina-se um quadro de urge-incontinência ou incontinência urinária de urgência.

 

 

 

 

 

Outra denominação muito utilizada para a Incontinência Urinária de Urgência é Bexiga Hiperativa.  Isso porque o detrusor, que é o músculo da bexiga está contraindo de forma descontrolada. Está hiperativo – é a chamada hiperatividade detrusora.

bexiga hiperativa com fonte

 

 

Para entender melhor o que acontece vamos revisar o controle da bexiga. Lembre-se que conforme a bexiga vai enchendo os receptores presentes dentro dela mandam informação desse enchimento pra medula. Quando somos bebês, após certo grau de distensão da bexiga, essa informação chega até a medula e de maneira reflexa ocorre relaxamento de períneo e contração do detrusor, com esvaziamento da bexiga. Conforme vamos sendo educados para controlar o ato de urinar, esse acontecimento deixa de ser reflexo e a informação sobe até o cérebro. Começamos a decidir desde então qual é o melhor momento para urinar e o cérebro passa a mandar informação para a medula, controlando a micção através de dois sistemas – o simpático e o parassimpático. Durante a fase de enchimento, quando o detrusor está relaxado e os músculos periuretrais estão contraídos, o sistema parassimpático está sendo inibido pelo cérebro e o simpático está atuando. Quando decidimos urinar o sistema parassimpático passa a atuar, com consequente relaxamento dos músculos periuretrais e contração do detrusor.

 

micção com fonte

 

Na bexiga hiperativa essa inibição do sistema parassimpático não ocorre de maneira eficaz, ocorrendo contrações do detrusor durante a fase de enchimento, denominadas contrações não inibidas do detrusor.

A incontinência Urinária de Urgência tem como principal característica a urgência miccional seguida de perda de urina. No entanto geralmente está associada com outros sintomas, os quais estão descritos abaixo:

 

 

FREQUÊNCIA URINÁRIA AUMENTADA

banheiro

A Sociedade Internacional de Continência (ICS) considera normal urinar de 4 a 8 vezes por dia, o que consiste em ir ao banheiro mais ou menos a cada três horas. O ideal é que quando for urinar a bexiga esteja cheia. Lembrando que a capacidade de armazenamento da bexiga é de cerca de 400 a 500 ml.

Na presença de incontinência urinária de urgência é comum urinar várias vezes ao dia, com saída de pequena quantidade de urina a cada micção.

 

 

NOCTÚRIA

noctúria

Consiste no aumento da frequência urinária durante a noite. A ICS considera normal acordar para urinar até uma vez durante a noite. Mais do que isso já caracteriza frequência elevada. Importante saber aqui que durante o sono ocorre em nosso corpo aumento da excreção de vasopressina, que é um hormônio antidiurético, diminuindo a filtração no rim e a formação de urina. Por isso conseguimos passar muitas horas sem urinar quando estamos dormindo, o que não ocorre quando estamos acordados. A nocturia é caracterizada quando a pessoa acorda por causa da vontade de urinar, ou seja, estava dormindo. Não se considera noctúria quando a pessoa urina mais de uma vez à noite quando tem algum distúrbio do sono que a impeça de dormir, pois assim a excreção de vasopressina estará alterada devido à falta de sono e o enchimento da bexiga será maior.

 

ENURESE

enurese

Significa fazer xixi na cama.

Pode ocorrer uma contração não inibida do detrusor durante a noite, com consequente perda de urina.

Geralmente a IUU está relacionada à urgência miccional seguida de perda, com a associação desses sintomas (frequência urinária aumentada, noctúria e enurese). Isso, no entanto, não significa que todos estão SEMPRE presentes. Esses sintomas associados isoladamente também não caracterizam incontinência.

A Incontinência Urinária de Urgência muitas vezes ocorre concomitante à Incontinência Urinária de Esforço, sendo assim considerada INCONTINÊNCIA URINÁRIA MISTA.

Vamos continuar conversando sobre IUU no próximo post. Caso tenham alguma dúvida até aqui é só escrever.

Ótima semana a todos.

21/03/2012

Incontinência Urinária de Esforço – Teoria integral e fatores de risco

Filed under: Incontinência Urinária, Incontinência Urinária de Esforço — A mulher e o períneo @ 12:34 am

Olá, vamos começar a nos aprofundar no tema “Incontinência Urinária de Esforço (IUE)”. Para isso, antes precisamos entender um pouquinho mais de anatomia. Hoje aprenderemos um conceito importante, o da Teoria Integral da Continência.

TEORIA INTEGRAL DA CONTINÊNCIA

Recordando: a IUE é caracterizada pela perda de urina aos esforços, quando a pressão de fechamento da uretra for menor que a pressão exercida pela bexiga.

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No entanto, existem outras estruturas envolvidas, além dos músculos do assoalho pélvico.

 

Observe na figura abaixo que a bexiga, assim como o útero e o intestino, não fica solta na cavidade pélvica.  Ela está sustentada por ligamentos e fáscias, os quais precisam estar íntegros para que haja continência.

 

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Os ligamentos ajudam a fixar a bexiga e mantê-la em sua posição normal. São bastante ricos em colágeno.

As fáscias, além de ajudar na sustentação, permitem o deslizamento das estruturas do corpo. Elas estão presentes em todo o corpo, entre os tecidos musculares e entre as vísceras.

 

 

Para entender melhor vamos novamente associar com algo que conhecemos. Imagine os ligamentos como cordas prendendo um objeto a uma parede, como um alpinista escalando, ou uma rede à árvores.

Precisa ser forte o suficiente para oferecer suporte, mas tem uma pequena mobilidade.

 

 

 

 

 

 

Agora vejam a imagem abaixo. Muitos de nós já brincaram de escorregar na lona molhada. Mas porque usar a lona e não se jogar direto na grama? Porque a lona diminui o atrito e facilita o deslizamento. Esse mesmo efeito de deslizameto é realizado pelas fáscias .

 

 

 

 

Muito bem. Voltemos ao corpo humano. Já sabemos que os órgão pélvicos possuem ligamentos que os sustentam e fáscias entre eles que, além da sustentação, possibilitam que deslizem entre si. Tudo isso possibilita que estejam sempre em suas posições anatômicas normais. Ao aumento da pressão intraabdominal se movimentam,  mas depois voltam à posição inicial.

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Mas e o períneo?

O períneo, ou assoalho pélvico, está dando suporte por baixo. O próprio nome ASSOALHO já caracteriza sua função. Qualquer aumento de pressão intraabdominal é transmitido às estruturas acima citadas.

A Teoria Integral da Continência preconiza que todas essas estruturas devem estar em perfeito funcionamento para não haver incontinência.

 

 

 

 

 

 

Como analogia, para uma casa ficar em pé toda a sua estrutura de sustentação, suas vigas, alicerces, paredes etc, devem estar em perfeita condição. Assim como o assoalho deve ser forte o suficiente para suportar o pressão exercida pela casa. Caso alguma dessas estruturas falhe a casa pode ter problemas.

Muito bem, agora que estamos mais informados sobre a Teoria Integral da Continência, vamos começar  a pensar, com base nisso, o que poderia talvez levar à Incontinência Urinária de Esforço.

FATORES DE RISCO


Ser Mulher

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A Incontinência Urinária é mais frequente no sexo feminino que no masculino, por diversos fatores. Alguns estudos dizem que cerca de 50 % das mulheres terão incontinência em algum momento da vida, outros relatam que até 80%.

Primeiro por questão puramente anatômica: a uretra da mulher é mais curta que a do homem. Assim o caminho de saída da urina é menor.

Além disso sofrem alterações hormonais, podem engravidar, podem realizar uma cirurgia ginecológica etc, o que falaremos também.

 

 

Gravidez

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Independente do tipo de parto, o próprio fato  de engravidar pode aumentar o risco de desenvolver IUE, que pode ocorrer durante a gravidez, no puerpério ou mesmo algum tempo depois.

Durante a gravidez a mulher sofre alterações hormonais que deixam os ligamentos mais frouxos. Associado a isso ocorre um crescimento enorme do útero, que está localizado logo atrás da bexiga, com reorganização de todos os órgão pélvicos.

Além disso durante os 9 meses fica uma sobrecarga de peso extra sobre o períneo.

 

 


Menopausa

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Com o chegar da menopausa a mulher passa por uma alteração hormonal importante, com diminuição da produção de estrogênio. Ocorre, dentre outras coisas, um decréscimo da produção de colágeno e a musculatura corporal, assim como a do períneo, fica mais flácida. Os ligamentos também ficam mais frouxos. Além disso a mucosa da vagina, pela falta do estrogênio, fica mais fina.

Em vista de todos esses acontecimentos e pensando na Teoria Integral da Continência podemos entender porque muitas mulheres desenvolvem IUE nessa fase da vida.

 

 


Idade

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A incidência de Incontinência Urinária é grande em idosos. Isso porque com o envelhecimento a flacidez aumenta, assim como o controle neural sobre os músculos diminui.  Os músculos estão mais atrofiados e o sistema nervoso não é mais tão eficaz como era anteriormente.

A própria diminuição da mobilidade e  consequente dificuldade em chegar até o banheiro pode estar relacionada com episódios de perda urinária no idoso.

 

 


Cirurgia Ginecológica

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Qualquer cirurgia ginecológica vai interferir em todo o mecanismo de posicionamento e deslizamento dos órgão pélvicos.

No entanto a retirada do útero, denominada histerectomia, é uma cirurgia bastante relacionada com IUE.  Lembre que o útero está posicionado bem no meio, estando a bexiga à sua frente e o intestino atrás. Com sua retirada esses  órgãos precisam se reestruturar dentro da cavidade pélvica.

 

 


Obesidade

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Preste bastante atenção nessa figura. À esquerda um indivíduo obeso e à direita um magro. Veja como no obeso todas os órgãos internos estão mais apertados, o que não acontece no outro. Veja dentro do círculo verde a bexiga nos dois casos. Observe que no indivíduo magro a bexiga está mais para cima e até parece maior, apesar de estar em um corpo bem menor. Agora imagine a pressão que todos os órgão e o tecido de gordura exerce constantemente sobre a bexiga e até sobre o períneo.

Na obesidade a pressão intraabdominal já é mais elevada, o que favore a Incontinência Urinária de Esforço.

 

 


Tabagismo

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O tabagismo está relacionado com diminuição da produção de colágeno. Por isso a pele de pessoas que fumam é mais envelhecida que a de não fumantes. No entanto, essa queda do colágeno pode trazer outras consequências além do efeito estético. Os músculos e ligamentos podem ficar menos eficazes, o que, com base na Teoria Integral da Continência, pode levar a uma IUE.

Além disso pessoas que fumam tendem a apresentar tosse crônica, que é outro fator relacionado com esse tipo de incontinência.

 

 


Constipação

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A constipação cronica pode estar associada a maior risco de IUE. Realizar força de expulsão acentuada no momento de evacuar repetidas vezes pode causar lesão da musculatura pélvica. Fora a pressão intraabdomnial elevada em todos esses momentos.

 

 


Atividade Física Intensa

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A imagem acima demonstra exatamente o que pode ocorrer ao realizar exercícios físicos intensos sem um preparo de períneo adequado. A atleta perdeu urina em plena prova.

Muitas atividades físicas, e não somente o levantamento de peso, ocasionam um grande aumento da pressão intraabdominal, com sobrecarga sobre todas as estruturas pélvicas podendo levar a IUE. Entre elas estão a corrida, o jumping, o volei, a musculação etc.

 

 


Doenças Associadas

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Algumas doenças podem aumentar o risco de IUE:

– Doenças Respiratórias Crônicas: pacientes que apresentam tosse crônica podem vir a desenvolver IUE

– Diabetes: devido a alteração de inervação da musculatura perineal e/ou da bexiga.

– Doenças neurológicas: alteração do controle motor do períneo ou do controle neural. Veremos posteriormente no tópico de Bexiga Neurogênica.

Acabamos de conhecer os fatores de risco pra IUE. Alguns são evitáveis e outros não. Se enquadrar nesses fatores não quer dizer que irá desenvolver IUE  e não se enquadrar não  exclui a possibilidade de  desenvolver. O importante é termos conhecimento do  que pode aumentar o risco pra pensar em prevenção.

Discutiremos prevenção mais pra frente, quando formos falar de tratamento.

Ótima semana a todos e sintam-se à vontade para escrever caso tenham dúvidas.

27/02/2012

Incontinência Urinária de Esforço

Filed under: Incontinência Urinária, Incontinência Urinária de Esforço — A mulher e o períneo @ 11:23 am

Como o próprio nome já diz, a Incontinência Urinária de Esforço (IUE) é a aquela em que ocorre perda de urina em situações de esforço, como ao tossir, espirrar, carregar peso etc.  Vamos entender como funciona.

Antes de falar em bexiga e urina acho interessante associarmos com coisas que conhecemos. Veja esta cachoeira. Todos nós sabemos que a tendencia de um líquido será sempre ir de um lugar mais alto pra um mais baixo. Se não tiver nada para segurar a água lá em cima da cachoeira ela vai cair.

 

 

 

Agora vejamos as fotos ao lado. Ambas são de hidrelétricas. Na primeira as comportas estão fechadas e a água está represada lá em cima. Na segunda as comportas foram abertas e o líquido, antes represado, está descendo.

Essas comportas da hidrelétrica precisam ser bastante resistentes pra conter a força que a água represada lá em cima faz o tempo todo pra sair. Lembre da cachoeira, esse líquido vai sempre tender a descer.

 

Vamos  associar com o que acontece na bexiga. A urina é formada constantemente pelos rins, sendo armazenada na bexiga, que neste momento é um reservatório.  Os músculos periuretrais funcionam como as comportas da hidrelétrica, necessitando ser fortes o suficiente para manter a urina lá dentro da bexiga na fase de enchimento.

No momento de urinar relaxamos esses músculos, ou seja, “abrimos as comportas”.

 

Muito bem. Agora é hora de falarmos um pouco sobre pressão.
Imagine uma bexiga cheia de água.  Quando viramos uma bexiga com água para baixo, sabemos que a água sai pelo orifício.  No entanto o que nem todos sabem é que o tempo todo o líquido ali dentro está fazendo pressão nas paredes da bexiga para sair.  Tanto é que se estourarmos essa bexiga veremos que a água está exatamente naquele formato. Isso porque o líquido vai sempre tender a ir de um lugar de maior pressão pra um de pressão menor. A pressão dentro da bexiga é maior do que a da atmosfera e a água tende a sair.

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O mesmo acontece na bexiga urinária. A urina vai o tempo todo fazer pressão para sair e cabe aos enfincteres uretrais estarem fortes os suficiente para fechar a saída. Assim a pressão de fechamento da uretra deve ser maior que a exercida pela urina dentro bexiga para haver continência. Caso contrário, se a pressão dentro da bexiga for maior que a exercida pelos músculos peri-uretrais vai haver perda de urina.

bexiga com fonte

 

Resumindo:

 

Agora que já temos o conceito de pressão vamos pensar na localização da bexiga e sua relação com determinadas situações.

 Lembrando, a bexiga fica localizada numa região baixa do abdomen, em frente ao  útero.

Na parte mais superior do abdomen está o diafragma respiratório. Na parte mais inferior estão os músculos do períneo. Anteriormente temos os músculos abdominais e posteriormente os músculos das costas.

Veja que esses quatro componentes formam uma cavidade, a região intra-abdominal. Este é um conceito importante para entendermos o que vem a partir de agora. Lembre que a bexiga está lá dentro.

 

Agora pense nas seguintes situações:

 

 

 

 

 

 

 

 

O que acontece com a barriga? Façam o teste. Coloquem a mão sobre a barriga ao tossir, espirrar, gargalhar ou praticar esporte. Vocês verão que a musculatura abdominal contrai. Em situações como estas a pressão intra-abdominal aumenta.

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Lembrando que a bexiga está dentro dessa região abdominal, consequentemente a pressão sobre a bexiga também aumenta.

Em situações normais concomitante ao aumento de pressão intra-abdominal ocorre contração da musculatura peri-uretral, mantendo o fechamento e a continência.

No entanto, pode ser que essa musculatura não seja suficientemente eficaz para segurar a saída da urina nesses casos de esforço, ocorrendo perda urinária, o que caracteriza a Incontinência Urinária de Esforço.

 

IU E co fonte

 

Em situações mais graves pequenas alterações de pressão abdominal podem ser suficientes para ocasionar perda. Por exemplo, o simples fato de mudar da posição sentada pra em pé, carregar uma panela, caminhar  etc.

Lembre-se que em nenhum momento da vida é normal perder urina. Claro que existem ocasiões em que é mais comum, no entanto existe tratamento e pricipalmente prevenção. Fiquem atentos para esses sintomas!

Vamos falar bastante ainda de IUE, sobre fatores de risco, exames, prevenção e tratamento. Escrevam caso tenham dúvidas até aqui.

Ótima semana.

29/01/2012

Incontinência urinária

Filed under: Incontinência Urinária — A mulher e o períneo @ 11:07 pm

Olá, agora que já vimos como funciona o controle da bexiga e o ato de urinar, vamos conversar um pouco sobre Incontinência Urinária.

A Incontinência Urinária (IU) é definida pela Sociedade Internacional de Continência (ICS) como qualquer perda involuntária de urina.
Apesar de  poder ocorrer no sexo masculino é mais comum em mulheres. Alguns fatores referentes ao sexo feminino explicam essa maior ocorrência: uretra mais curta, presença da fenda vaginal, influência da menopausa e gravidez.

AP feminino e masculino com fonte

 

Estima-se que 40% das mulheres terão incontinência urinária em algum momento de suas vidas. Assim é um tema muito importante de ser abordado e conversado. Você alguma vez já tossiu e saiu um pouquinho de xixi? Ou teve vontade de urinar e não deu tempo de chegar ao banheiro? Ou ainda tem vontade de urinar o tempo todo e acorda várias vezes a noite por causa disso? Já conversou sobre isso com seu médico?

Infelizmente muitas mulheres acham que ter um escape de vez em quando é normal, não dão importância a isso e só procuram ajuda quando os sintomas começam a priorar tanto que chegam a atrapalhar a vida social. Outras, nem assim procuram. Por vergonha ou devido a tabus vão convivendo com a incontinência como se fosse algo natural.

 

Mas o que é normal e o que é patológico? A ICS considera normal urinar de 4 a 8 vezes por dia e até uma vez à noite, o que dá  cerca de 1 vez a cada 3 horas. Urinar toda hora e/ou acordar mais de uma vez à noite pra urinar já pode ser um sinal de que algo não vai muito bem. Perder urina em situações como espirrar, tossir ou rir, por exemplo, não é normal em nenhuma idade. Ficar com a calcinha molhada de xixi porque pingou durante o dia também não. Assim como ter vontade intensa de urinar de repente, sendo necessário sair correndo pro banheiro, perdendo ou não urina no caminho.

 

 

Se você apresenta algum desses sintomas você pode ter incontinência urinária. Marque uma consulta com seu ginecologista e explique o que está acontecendo. O médico, geralmente o ginecologista ou o urologista, é o profissional responsável por fazer seu diagnóstico. Algumas patologias, como a infecção urinária, por exemplo, podem levar a sintomas parecidos com  os da incontinência. Seu médico, através de seu histórico, uma avaliação física e provavelmente alguns exames chegará ao diagnóstico adequado.

 

A Incontinência Urinária, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma patologia somente de mulheres idosas, podendo ocorrer em qualquer época da vida. Em crianças (teremos um post só pra esse tema mais pra frente), em jovens,em gestantes, em mulheres que acabaram de entrar na menopausa e em idosas. Assim toda hora é hora de ficar atenta.

Existem diferentes causas e tipos de IU.

Incontinência Urinária de Esforço (IUE)

Quando ocorre perda de urina ao tossir, espirrar, carregar peso ou fazer atividade física,por exemplo. Ou seja, situações em que após um esforço há saída de xixi.

Ocorre porque a pressão exercida sobre a bexiga é maior que a pressão de fechamento da uretra.

 

 

 

Incontinência Urinária de Urgência (IUU)

Caraterizada por uma série de sintomas, sendo o principal uma vontade repentina e muito forte de urinar que se faz necessário sair correndo ao banheiro.

Geralmente associada frequencia elevada de idas ao banheiro durante o dia e à noite.

 

 

 

Incontinência Urinária Mista (IUM)

Uma associação dos dois tipos anteriores. Ocorre tanto sintomas de esforço quanto de urgência.

 

 

 

 

Incontinência por Transbordamento

Gotejamento de urina, que deixa a calcinha sempre molhada, independente de haver esforço.

 

 

 

 

Incontinência por Bexiga Neurogênica

Uma alteração neurológica pode alterar o funcionamento adequado da bexiga. Lembre do controle neural da bexiga visto anteriormente. Assim situações como um AVC, um trauma na medula, a Esclerose Múltilpla, dentre outros, podem alterar esse controle e levar a diferentes quadros de incontinência.

 

 

 

Incontinência Urinária Infantil

O momento de sair das fraldas é muito importante pro controle adequado da bexiga e pra ganho de coordenação no ato de urinar. Os pais precisam ficar atentos nos hábitos urinários de seus filhos, pois as crianças podem desenvolver disfunções miccionais nessa fase.

 

 

 

Incontinência Urinária Transitória

Algumas mulheres podem ter incontinência devido a algumas situações específicas, que uma vez não mais presentes o  sintoma urinário some. Por exemplo, após uma cirurgia, durante a gravidez ou no pós parto recente, devido a uma infecção urinária etc.

 

 

 

 

Vamos falar mais detalhadamente sobre os tipos de Incontinência Urinária em diversos posts mais pra frente. Assim como sobre fatores de risco, exames, prevenção e tratamento.

Já sabem, tendo dúvidas é só escrever. Tenham uma ótima semana.

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